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quinta-feira, 13 de maio de 2010

Os anos 80 e o meu Olhar 43



Continuando a viagem ao túnel do tempo, vivo agora o meu momento Nelson Motta...
Nos anos 80, o rock nacional explodiu e virou preferência nacional. Surgia a 89FM- a Rádio Rock (onde tive o prazer de trabalhar), as discotecas desapareceram e abriram espaço para lugares antológicos, como Radar Tantan e Madame Satã. A cultura underground começava a ganhar espaço na mídia. As boas bandas que começaram nessa época, tocavam até no Chacrinha e todo mundo sabia cantar. Não importava o nível social, cultural ou econômico.
Mas muita coisa ruim também pegou carona nessa época. Tinha uma banda que cantava a música do Ursinho Blau Blau que nem lembro o nome; outra que cantava "Hera Venenosa" (Herva Doce), Metrô com “Beat Acelerado” e o Ritchie com o seu inesquecível “abatjour cor de carne”. Mas duas bandas me irritavam muito e quase todo mundo gostava: Kid Abelha (com a música que até hoje é número 1 em festa de casamento e karaokê, com a musiquelha do “fazer amor de madrugada”) e o RPM. Eu achava o Paulo Ricardo muito galanzinho, tinha uma bateria eletrônica um tanto quanto irritante e um sintetizador (putz, que coisa velha!) que ficava fazendo um pique-pique-pique-pique na música que me lembrava o “Parabéns a você...”- Nelson Motta mode OFF.
MICO mode ON...
Como boa moça de família, eu estudei francês na Aliança Francesa. Tinha uma menina na minha classe que eu gostava muito, a gente se dava super bem, gostava de conversar sobre música e como ela sabia que eu adorava meus amiguinhos do Tokyo, sempre me trazia uns adesivos e material promocional da banda e dizia que ela tinha ganhado de uns amigos do marido dela.

Ela só falava em RPM e Paulo Ricardo e eu mandei uma frase clássica que só podia ter saído de uma mente disposta a pagar mico como a minha:
-Você é a maior fã de RPM, né? Eu detesto e a mulherada acha aquele Paulo Ricardo lindo, eu acho ele horroroso e deve ser um chato...
-Ainda bem, uma a menos!
- Como uma a menos, que diferença faz?!? Você é a maior fanzona do Paulo Ricardo, tá com esperança de casar com ele?
-Pelo menos eu sei que você é minha amiga porque gosta de mim de verdade...
Eu fiquei com cara de paisagem, sem entender nada e ela continuou:
- É que eu sou casada com ele. O Paulo Ricardo é meu marido...
Minha amiga era a Moira, a primeira esposa dele. Eu dei risada porque não tinha mais jeito de consertar e o Olhar 43 se materializou em mim com outro significado.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Happy Birthday, Bono!



Já segui o U2 ao redor do mundo. Minha última viagem foi para Los Angeles para ver o U2360.Queria ter ido para o estádio direto do aeroporto no dia anterior ao show, mas o Rose Bowl não permitia que ninguém acampasse e deu umas pulseirinhas para que todos fossem embora. No dia seguinte, elas não valiam mais nada. Foi uma #PutafaltadeSacanagem com quem foi até lá!kkkkkEu queria ter chegado mais cedo, mas o meu amigo que me deixou no estádio se recusou. Ele achava que não havia necessidade e que eu estava exagerando...Queria me levar para tomar café da manhã, deixei ele insistindo e pulei do carro ainda em movimento para correr para a fila.Cheguei às 5 da manhã e já havia umas 500 pessoas na fila. Os fãs são sempre tão legais que parecia que nos conhecíamos há muito tempo. Uma professora que tinha ido ao show em Boston disse que tinha uns brasileiros oferecendo o biscoito Bono... (aliás já troquei muito biscoito Bono por bootlegs).Vi uns 3 grupos de brazucas na fila. Estava muito calor e ficamos debaixo do sol o tempo todo. Eu me perguntava porque eu passava por todo aquele sacrifício, gastando uma grana que eu não tinha, me privando de conforto, sono, comida, banheiro limpo, passando calor- tudo só para ficar mais perto do palco. Eu não consigo entender qual é a minha necessidade, já vi tantos shows do U2 colada na grade... Todos desde o Lovetown tour (acho que 88 ou 89)e sempre lá no gargarejo. Por que eu não podia ser como as pessoas normais que compram cadeiras numeradas e chegam uma hora antes do show começar?Quando anunciaram a abertura do portão, todo mundo ficou atento e tenso. Eu catei tudo que eu precisava (dinheiro, documentos e uma máquina fotográfica) e coloquei naquela pochetinha de viagem que se usa dentro da roupa. A minha bolsa e o meu cobertor, eu decidi deixar no carro de um cara que eu nunca tinha visto na vida; conheci na fila e a minha única preocupação era que ele sumisse com o meu Cd Medium, Rare & Remastered que estava na bolsa! O que faz uma mãe de família de 42 anos passar por tudo isso e ainda confiar em um desconhecido? Já estou velha demais para essa vida de fã! Abriram os portões e nós fomos na primeira leva que passou pela segurança. Sem bolsa, eu passei direto e corri como se precisasse salvar a minha vida e lá estava eu, no inner pit, perto do palco (e que palco!!!).Ainda tinha mais 4 horas pela frente...Sentei no chão outra vez e conheci mais umas pessoas que eu conhecia de nome do Interference. Às 7 horas, apagaram-se as luzes, mas ainda tinha que encarar o show de abertura-Black Eye Peas. Nem gosto muito, tem uma musiquinha ou outra, mas no geral acho bem descartável. O fato é que nenhum show de abertura me faria feliz naquela hora e ter que ouvir I gotta a Feeling mais uma vez na vida fazia parte da penitência. Até que eles me surpreenderam ao vivo, são melhores do que eu imaginava. Apesar dos recursos tecnológicos que eles usam, pelo menos têm músicos de verdade tocando no palco. No final do show, um agradinho e tanto-Slash foi chamado para tocar Sweet Child of Mine com Fergie (que é linda, por sinal).Fim do show de abertura...Varrem o palco e desmontam instrumentos. Mais espera e a pergunta que não queria calar: Por que eu passava por tudo aquilo? Meus pés estavam cheios de bolhas,eu estava grudenta, imunda, fedida a ponto de dar vergonha e morrendo de sede sem poder tomar água porque ambulantes não chegam na grade e tomar água pode dar uma vontade insuportável de fazer xixi.
Quando ouvi Space Oddity tocar, meu coração disparou e as lágrimas começaram a correr...Finalmente, estava na hora. Diante da visão da banda entrando no palco, um por um e ao som do primeiro acorde de Breathe, eu sabia exatamente porque estava ali. O U2 valia cada minuto do meu sacrifício.


Deve ser o que uma pessoa sente ao chegar no Paraíso- não havia mais dor, nem cansaço, nem sede, nem fome- só a música de uma banda que me leva mais perto de Deus.A tecnologia de ponta, as inovações que eles sempre trazem, a música que ficou de fora do setlist e o palco "faraônico" ficam mesmo invisíveis quando vemos o que é realmente extraordinário no show- 4 caras que fazem uma música tão sublime e grandiosa que extrapola os sentidos e transcende a alma, religião e fronteiras.



Erros, foram alguns... Mas,creio que era só para nos lembrar que estávamos diante de seres humanos, porque realmente parecia algo divino. Para mim, é uma experiência muito mais eficiente do que Religião e Igreja. Dava para sentir a presença de Deus ali, definitivamente, Ele estava ali e acho que é por isso que eu vou continuar na fila- sempre aguardando por outras oportunidades de chegar mais perto. Entendam bem- U2 não é Deus, mas é religião...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Armação Ilimitada-Juba e Lula e a Mulher Mico...



Direto do Túnel do Tempo...
Bons tempos em que Kadu Moliterno era apenas um pacato surfista e não socava a mulher!!!
O mico de hoje é de proporções médias e aconteceu no auge do Armação Ilimitada, um programa que passava na Globo nos anos 80!
Eu estava em um restaurante, saindo do banheiro (sempre) e dei de cara com o Kadu Moliterno. Eu crente que conhecia o cara fui logo falando com ele na maior intimidade...
- Nossa, vc não aparece mais na faculdade, há quanto tempo...Pelo seu bronze, está só pegando onda, sossegadão, né?
Ele tentava me explicar, ficou com cara de interrogação, mas acho que até ele ficou em dúvida se me conhecia realmente de tanta intimidade!
-É que eu estou trabalhando muito...
E eu insistia:
-Sei, com essa cor?!? Só está assinando a lista, mas e para fazer prova? Quero ver...
Dei uma dura nele...
-O ano está acabando, assim vc vai bombar, veja se aparece, deixa a praia para o fim de semana.
Ele ficou estático (é melhor não contrariar a louca), me deu um beijo e disse:
-Ah, tá pode deixar que eu apareço lá essa semana...
Só caiu a ficha quando ele se sentou na mesa com o André de Biasi, seu companheiro de aventuras ( o Menino do Rio- calor que provoca arrepio...)

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Don´t Stand so Close to me


E os micos com artistas continuam... Quando eu ainda morava em LA, voltava do trabalho junto com uma amiga, subindo uma rua que tinha um farol (sinal, para quem for do Rio) super demorado. Estava naquele abre e fecha e o trânsito quase não andava...Do nosso lado, ficou uma Mercedes preta e olhamos para o lado e vimos o Sting de vidro aberto (lá pode...)Claro que daí o trânsito começou a andar. A minha amiga saiu pela janela do carro até a cintura e começou a gritar, acenando e chamando:-Sting, Sting, please...Ela começou a parar o trânsito pedindo passagem para para os carros e mandava eu seguir o cara.Todo mundo que estava na rua colaborou para as duas loucas passarem. Mesmo porque ela puxava a direção para cima dos carros(enquanto eu dirigia), inclusive para cima da Mercedes dele. O cara ficou morrendo de medo e acelerou que nem um louco, cantando pneu para fugir dazloka (por que será???). E eu seguia a Super Máquina num Fiat Brava (era igualzinho a um Lada, se não for pior-um horror!!!) Ele bem que tentou superar a potência do meu carro (tolinho), mas acabou caindo numa rua sem saída.Ele parou o carro e decidiu encarar as duas... Acho que ele não sabia se nós queríamos pedir um autógrafo ou bater no carro dele e cobrar o seguro por invalidez. Sabe quando cachorrocorre atrás de carro e quando o carro para ele não sabe o que fazer? Essa era a nossa situação. Ficamos morrendo de vergonha, sem saber o que fazer. Fui até o fim da rua, dei um cavalo-de-pau com o meu carro poderoso e comecei a fugir dele para escapar do mico. E a minha amiga continuava gritando:-Sting....O pior de tudo, não era o Sting, era o David Lee Roth!!!Don´t stand so close to me...I´m just a gigolo.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Monkey see monkey do


Derrubar ceguinho é pecado, derrubar o Stevie Wonder é pecado inafiançável Vou para o inferno e vou ter que ouvir pagode, axé e sertanejo por toda a eternidade!Tudo bem que ele teve uma fase "mela cueca",, mas Stevie Wonder é lenda e já fez e ainda faz muita música boa.Eu morava em Los Angeles e estava me mudando para o apartamento do meu marido, fiz a minha própria mudança que cabia inteirinha no porta-malas do carro.Estava cheia de caixas no elevador. Lembrando que eu sou pior do que o Huguinho (aquele pato goiaba vestido de bebezão), não tenho noção da minha força, puxei a caixa com vontade pra fora do elevador. Era a caixa de travesseiros e roupa de cama e eu fiz força pra puxar uma geladeira. Enquanto isso, o Stevie Wonder estava entrando no elevador, porque a namorada dele morava no nosso prédio. Quando puxei a caixa caí para trás e derrubei o homem. O guia/segurança dele mandou um "vai que é tua ..." e segurou o cara quase com a bunda ralando no chão... Eu fiquei com tanta vergonha que larguei a caixa lá fora e voltei para o elevador para pedir desculpas. Que mico, eu derrubei o Stevie Wonder! Eu dizia:-Oh my God, I knocked down Stevie Wonder!!! I´m sooooo sorry!Mas ele foi muito gente boa, muito espirituoso e tirou de letra...Enquanto eu pedia desculpas e dizia o quanto estava com vergonha, ele disse: -Não se preocupe, eu que não vi nada e se eu encontrar de novo com vc nunca iria te reconhecer... Mais um mico de Titia Forest Gump...

quarta-feira, 28 de abril de 2010


Palavras vãs...08/02/08

Meu irmão é do tipo de pessoa que não fica falando, ele FAZ...
Sabe quando na melhor das hipóteses, a gente fica com raiva de alguém e manda a pessoa ir HAGAR?
Quando o meu irmão chega à conclusão que alguém está enchendo muito, ele não fala nada. Só convida a pessoa para tomar uma Coca-Cola ou um café na padaria... com Guttalax!!!
Ah, esse cara estava precisando HAGAR para deixar de ser enfezado!!!
Será algo no nosso DNA?

I wanted "Free Hugs, got "Kicks for free"06/02/08

Cena no Times Square:

EU:- Quero tirar uma foto com esse cara que está com a plaquinha do Free Hugs!
Paulo:- Amanhã você tira. Vamos para o hotel.
EU:-Mas e se ele não estiver aqui amanhã, quero dar um abraço nele agora. Vem...
Paulo:- É, tem razão! Amanhã ele pode estar muito ocupado!!!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Bikini Girls with Machine Guns-The Cramps 02/03/08


Acordei com essa música na cabeça, o que me fez lembrar da minha tia-avó, "carinhosamente" conhecida como Maria Espingarda!
Ela andava armada, com um revólver embaixo da anágua e dormia com uma espingarda embaixo da cama!
Um dia, um "sem noção" resolveu ir espiá-la pela janela enquanto ela se trocava. Uns diziam que ele queria ver se era mesmo verdade que ela andava armada, outros diziam que ela era muito bonita, mas muito brava e não dava mole para ninguem, por isso, ele queria ver se tinha algo errado com ela. Eu acho que ele era só mais um pervertido mesmo!
Quando ela percebeu o voyeur, pulou a janela do quarto de camisola, e correu atrás dele atirando de espingarda! O cara pagou pra ver e levou um tiro na bunda.
Sorte a dele que ela o pegou de costas, porque o alvo dela era outro e a mira, excelente!!!
O cara mereceu... Mas ela morreu solteira!

Mr. Bean vai ao banheiro...01/04/08


Eu tenho um relacionamento estranho com banheiros. Já deu para perceber...
Ontem fui a um restaurante e obviamente precisei fazer uma visita ao banheiro. No "reservado" não tinha nenhum lugar para pendurar a bolsa, tentei no trinco, no rolo de papel e a bolsa caía. O único lugar que me restou foi a torneira do registro.
Pendurei a bolsa e comecei a preparação para o "xixi amigo" -na posição "parto indígena de cócoras"- porque minha mãe sempre me falou para não sentar em banheiro público que dá doença!
Comecei a sentir umas gotas de água escorrendo pelas minhas costas. Estranhei que meu xixi desafiasse as leis da gravidade, sou estranha, mas nem tanto...Olhei para o teto para ver se era goteira, quando virei a água começou a espirrar por todo o lado, no meu rosto, no cabelo, na roupa. O "reservado" tinha virado um chuveiro porque o peso da minha bolsa fez o registro ceder.
Deixei um rastro de água por onde eu passava e meu sapato fazia "shek, shek".
Voltei para a mesa morrendo de rir com o cabelo ensopado.
O Paulo preferiu não entrar em detalhes, só perguntou: Tomou banho?

Telemarketing e o fim do inferno astral 16/05/08



Telefone tocando me irrita, odeio falar e atender telefone, mesmo que seja com amigos. Alguns têm assunto por toda a eternidade. A orelha esquenta, dá vontade de ir ao banheiro... Se você estiver com um telefone sem fio, até dá, mas tirar e colocar calça jeans com uma mão só é um suplício! Flatulências podem ocorrer, o vaso sanitário se transforma em uma caixa acústica e puxar a descarga antes de desligar o telefone pega muito mal!
Mas se quiser me irritar mesmo, é só ligar durante o meu "soninho da beleza".
Telemarketing é um capítulo à parte. Como eles conseguem o seu telefone? Deve ser uma conspiração do mal...
Quando eles querem oferecer serviços para mim, só mando um "NÃO" categórico. Mas a maioria das vezes querem oferecer serviços para o Paulo e essa é uma profissão de gente incansável e insistente, sem medo do ódio alheio.
O pior é quando pedem doações para as criancinhas, para os asilos e para os bichinhos maltratados... Continuo dizendo NÃO, mas me sinto um monstro insensível que vai padecer horrores no inferno!
Já sabia do que se tratava quando eu ouvia:
- "Olá boa tarde, gostaria de falar com a Sra. Lucia Cristina...”.
Tentei várias respostas:
-Eu até me interesso pelo produto, mas posso te ligar na sua casa, fora do seu horário de trabalho?
-Mudou para outro país...
-Infelizmente, morreu...
Mas não adianta, eles se multiplicam mais rápido que motoboy e lactobacilos vivos, como diria Jackson Five.
Ontem de manhã, a solução veio sem querer... O telefone tocou de manhã. R-E-S-P-E-C-T, por favor, trabalho de madrugada!
Eu já falo em baixa rotação, imaginem quando acordo que fofa está a minha voz...
- AHLOHHHH...
-Por favor, eu gostaria de falar com a dona ou o dono da casa?
- Não estão.
- Qual seria o melhor horário para “estar falando” com eles?
-Nenhum!
Desliguei o telefone na cara da criatura. Telemarketeira gerundista, aí não dá; só podem estar de brincadeira comigo!
Só que eles são telemarketeiros e não desistem nunca... Ela ligou de novo e surtou:
- Olha, eu estou ligando para falar com a dona da casa, você não é a dona da casa. Você é uma criança e por isso, me respeite! A que horas eu encontro a dona da casa?
Aí foi só chutar para o gol:
- Não posso falar, minha mãe não deixa e NÃO, POR FAVOR E OBRIGADA!
BRA-SIL-SIL-SIL!!! Foto publicada às 22:16

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Do it yourself...09/12/07


Meu marido diz que eu sou a Lucia-mãos-de-pedreiro! Eu sempre me meto a fazer as coisas na casa.
Um dia, o Paulo foi jogar futebol e quando ele voltou para casa, eu tinha trocado o piso da minha cozinha. Tudo bem que era de vinil, mas que troquei, eu troquei!
Mas as minhas empreitadas nem sempre dão certo. O problema é que eu peço para o Paulo fazer e ele enrola, então eu resolvo o assunto com as minhas próprias mãos. Eu pedi para ele pendurar o varão e a cortina do nosso quarto e ele queria deixar sempre para depois e eu quero tudo pronto para ontem. Peguei uma furadeira emprestada, subi na cama, abri a janela (porque estava um calor Africanês) e comecei a furar. Peguei logo uma viga. Fazia a maior força para furar e nada, só caía poeira nos olhos. Mas o meu cabelo solto, esvoaçante ao vento da janela estava um espetáculo! Parecia comercial de shampoo!
Só que a poesia daquele momento foi bruscamente interrompida por uma mecha de cabelo que enrolou na broca da furadeira e grudou a minha cabeça na parede, lá no alto. A furadeira ficava tentando rodar e enrolava mais ainda no meu cabelo. A máquina começou a esquentar.Saia uma fumacinha e eu já estava sentindo cheiro de queimado e tentei enrolar o fio da furadeira na minha perna e puxar a tomada com o pé (sim, eu estava descalça, porque não se deve subir na cama de sapato...hihihi). O detalhe é que para fazer a furadeira parar de funcionar era só eu parar de apertar o botão! Mas a minha estratégia e habilidade com os pés funcionaram...Quer dizer, mais ou menos! O plug ficou na tomada, eu só consegui fazer o fio soltar do plug. Aí, fez aquele clarão no quarto, soltou faísca e queimou o carpete. Mas só foi uma queimadura leve, de 1° grau. O problema é que a furadeira continuava presa na minha cabeça, colada no couro cabeludo.O Paulo chegou e imagine a cena... Ele histérico, me passando sermão e eu rolando de rir da situação. Para tirar a furadeira da cabeça, tivemos que cortar o cabelo, e ele dizia:
- Vai palhaça, vai dando risada, vai ficar careca!
Eu imaginava o palhaço Carequinha e ria mais ainda, até ver o estrago no espelho. Um rombo carecão bem na frente que não tinha como disfarçar! Daí o Paulo deu risada!

Barefoot in the Park 16/12/07



Tem gente que faz 40 anos e sente os efeitos do tempo por conta da gravidade, passa a usar óculos ou muda de faixa etária no plano de saúde.

A grande mudança na minha vida depois dos 40, eu só comecei a perceber depois da primeira viagem. Meus pés ficaram inchados e nenhum sapato cabia mais no pé! Olhando pelo lado bom das coisas, de agora em diante, basta um par de Havaianas na minha mala...

Em agosto (2007), fui para NY com o Paulo e resolvi levar a minha sandália de guerra, que me acompanha há mais ou menos 10 anos! Custou uns R$60,00, mas o Paulo diz que já deveria estar valendo uns R$ 1000,00 depois das inúmeras visitas ao sapateiro. Acontece que era a minha sandália oficial de viagem, já encarou vários grupos na Disney, Europa, vários verões, além de aulas intermináveis e feiras. Sabendo da “síndrome dos pés pós-balzaquianos”, foi o único par de sapatos que eu levei na mala (além das Havaianas).

O Paulo já anda rápido por natureza e é ligado no 220V e eu sou a turista profissional que aprecia a paisagem, anda no segundo andar do ônibus aberto com um frio abaixo de zero e quer tirar fotos de tudo.

Logo no primeiro dia, meu pé encheu de bolhas.No dia seguinte, protegi as bolhas com esparadrapo. Precisava mais do que meia dúzia de bolhas para me deter em NY.No final do dia, parecia pé de bêbado: inchado, vermelho e cheio de esparadrapos sujos! Os esparadrapos enrolaram e começaram a grudar na palmilha da sandália, fazendo uma espécie de depilação, descolando a palmilha da plataforma da sandália.

Todos os dias, eu dava uma paradinha no sapateiro que colava um courinho aqui, uma tirinha lá... Coisa básica de 10 dólares por dia!

No último dia de viagem, deixamos as malas prontas e eu tentei enfiar a sandália na mala. O Paulo achava que era fim de linha, ela morreria ali mesmo, não valia a pena colocar na mala! Eu não contrariei, mas depois que voltássemos do passeio, elas viriam comigo para o Brasil, direto para o sapateiro! Saímos para que eu tirasse fotos na frente do prédio do Bono. Aproveitando que era na frente do Central Park, resolvi que queria ir até o Guggenhein que era “logo ali” atravessando o parque. O Paulo queria ir de táxi, mas eu queria passear mais no Central Park.No meio do caminho, a palmilha soltou até metade e o Paulo feliz da vida:

- Ótimo, jogue fora aqui mesmo e ponha as Havaianas!

- Putz, bem hoje eu não trouxe, está na mala!

- Como não trouxe?!? A sandália já estava morrendo...

- Mas eu achei que mais um dia ela agüentaria! Mas eu tive uma idéia...

Abri a bolsa e comecei a procurar um remendo estilo “Mac Gyver” para a sandália.

- Já sei, vou colocar um elástico de cabelo no meu pé para segurar a sandália. Eu fiz isso quando a sandália arrebentou no Louvre.

- Essa sandália já tinha arrebentado?

- Faz tempo, foi em 2003 no Louvre. Lembra que eu te contei que tirei a sandália e o segurança me fez calçar de novo porque não podia andar descalça no Louvre? Tive que andar arrastando a sandália no Louvre inteiro pedindo para todo mundo um elástico. A moça do caixa da lanchonete me deu um elástico de dinheiro, enrolei por cima da sandália (quase tive uma gangrena...) e ainda tive que ir a pé até a Ópera de Paris para encontrar o meu pai porque não tinha dinheiro para o táxi!

O Paulo, já nervoso...

-Nem me fale uma coisa dessas! E você ainda não jogou fora essa sandália! Que absurdo!

-Mas é tão boa para viajar!

-Estou vendo! A gente aqui sentado no chão do Central Park com a sua sandália estourada! É ótima!

A crise de riso começava e o marido ia ficando mais nervoso... Na bolsa não tinha nenhum elástico, mas tinha um rolo de esparadrapo-foi o rolo inteiro para tentar segurar meu pé na sandália que nessas alturas tinha virado uma botinha branca.

- Dá a máquina para eu tirar foto do meu pé!

- Que máquina o que, não começa! Nem parece que é guia, olha a situação!

A crise de riso ia aumentando na mesma proporção da indignação e do nervosismo do Paulo...

A operação esparadrapo durou uns 5 metros, era hora de pedir reforços aos deuses dos programas de televisão! Santos Pisantes, Batman! O que faria o Mac Gyver no meu lugar? A minha outra opção era um saco de supermercado. Ensaquei o meu pé, junto com a sandália e amarrei as tiras no tornozelo. Ficou no maior STYLE, mas não durou nem um metro.

O Paulo ficava ainda mais irritado e eu chorava de rir...

-Senta aí no chão que eu resolvo isso!
Ele arrancou a plataforma da sandália, que implodiu nas mãos dele formando uma nuvem de partículas de borracha ao nosso redor. Eu nem conseguia me levantar do chão de tanto rir. Todo mundo que passava também morria de rir da cena, menos ele que procurava o lixo mais próximo para jogar fora a plataforma da sandália.Eu fiquei andando só de palmilha e estava mais ou menos “aqui está fundo, aqui está raso”... Mas não falei nada, só dava risada mesmo!

O Paulo já estava no limite:

-Senta aí de novo que eu vou dar um jeito nessa palhaçada, me dá o outro pé...

Estiquei o pé e ele arrancou a outra plataforma. Fiquei andando no parque só de palmilha, com o acabamento do couro que ficava colado por trás, todo retalhado se esparramando pelo chão. Parecia uma sandália medieval (talvez pré-histórica), mas eu ainda estava preocupada com as fotos, com o Guggenhein...

O Paulo queria só comprar o relógio dele e me esconder da civilização moderna até a hora de ir para o aeroporto para que ele não pagasse mais nenhum mico comigo!

Do outro lado do parque, pegamos um táxi e fomos até a loja de relógios chiquérrima no Columbus Center. Os vendedores eram franceses e começaram a comentar sobre nós. Meu sapato Mel Gibson, “Coração Valente” style chamou atenção especial de um deles, que achava melhor pedir para o segurança ficar por perto. Eu sou simples, mas sou limpinha e com licença, ainda falo francês! O Paulo pedia para ver os relógios e os caras falavam que era muito caro...

- Ah esse é uns 10 mil dólares! Esse outro uns 5 mil- Não tiravam nenhum relógio para o Paulo ver na mão. Um cara que não dá nem um sapato decente para a esposa, não vão ter dinheiro nempara comprar um relógio de supermercado!

Eu terminei o dia com uma havaiana falsificada e o Paulo, sem o relógio dele (mas a culpa é do francês)!